Júlio Narciso Neves, nasceu em Avanca a 24 de Fevereiro de 1884, sendo o primeiro dos oito filhos de António Maria Neves e Joana Maria Valente. Num povoado pequeno, mas em crescimento graças à vinda do caminho-de-ferro, Júlio Neves terá gozado uma infância igual à, de tantos outros meninos, sem luxos nem grandes folguesas assistindo algum do trabalho do pai e dedicando-se, com os irmãos, à música. Anos mais tarde, Avanca admirá-lo-ía como músico quando, na Semana Santa, fazia questão de integrar a filarmónica que acompanhava as tradicionais cerimónias da Paixão de Cristo. Chegado à idade adulta, vendo que não tinha jeito para os trabalhos manuais, como o seu pai, tentou a sua sorte no Brasil. Júlio Neves e D. Eugénia Araújo acabariam por se casar pelo fim da 1ª Grande Guerra e vieram viver para a imponente casa que Ernesto Korrodi (o mesmo arquitecto que projectou a Casa do Marinheiro) havia projectado em Avanca, junto à Estrada Nacional 109. É aí que podemos admirar a excelência com que Júlio Neves tudo fez na sua vida.
Os mais velhos recordam-no como um homem de porte, altivo, mas sereno, que se distinguia pela sua elegância e fazia de cada momento objecto de uma pose distinta. Deu à sua casa a profusa perfeição de um palacete romântico e nele espalhou arte, beleza e cultura. Dono de uma invejável colecção de obras literárias, grande parte delas em francês, Júlio Neves soube tornar-se íntimo do saber, fazendo uso da sua imensa fortuna.
Júlio Neves era um grande admirador da arte e da música enchendo a sua casa de obras de arte vindas das suas frequentes viagens a França. Esta faceta de protector introduz-nos a uma outra, que tendo a ver com a generosidade de Júlio Neves toca valores morais distintos. 0 nome deste ilustre homem de Avanca está profundamente ligado às obras caritativas, às intenções de cariz social. Falecido a 8 de Julho de 1958, depois de ter casado em segundas núpcias com D. Maria Angélica Magalhães, Júlio Neves deixou obras e vasto património a favor dos mais desprotegidos. Ainda em vida, ajudou dezenas e dezenas de crianças em Avanca, Ovar, Furadouro, fez erguer casas para os pobres da sua terra, vestiu centenas de crianças nas Comunhões, doou haveres e dinheiros para o Hospital de Estarreja, ajudou a criar a cantina escolar de Avanca e instituiu uma bolsa de estudo para a Escola do Mato. Deixou ainda em testamento bens em favor da sua terra e do seu concelho, casas e fontes de rendimento para os pobres e as instituições de solidariedade.
